Tribunal de Contas acolhe palestra sobre o cancro da mama no âmbito do Outubro Rosa

Magistrados, responsáveis e funcionários do Tribunal de Contas assistiram, na manhã de Quinta-feira, 22 de Outubro, a uma palestra sobre prevenção, diagnóstico precoce e factores de risco do cancro da mama, promovida no Palácio da Justiça, em Luanda.

O Juiz Conselheiro Vice-Presidente do Tribunal de Contas, Dr. Evaristo Solano, e a  Juíza Conselheira Arlete da Conceição marcaram presença, na manhã desta Quinta-feira, 22 de Outubro, no Auditório Rui Ferreira, no Palácio da Justiça, na palestra subordinada ao tema «O Cancro da Mama: Perspectivas e Objectivos». A iniciativa, alusiva ao Outubro Rosa, foi promovida pelos Serviços de Segurança e Protecção Física, da Direcção dos Serviços Administrativos, e dedicada à sensibilização sobre esta doença.

A abertura dos trabalhos coube ao Director dos Serviços Administrativos, Edilson Pedro Eduardo, que, ao dirigir-se aos homens e às mulheres presentes no auditório, proferiu palavras de boas-vindas. Na sua intervenção, sublinhou que o cancro da mama constitui uma preocupação de grande magnitude: um problema que não afecta exclusivamente as mulheres, podendo igualmente atingir os homens, e que, por conseguinte, a todos alcança, enquanto indivíduos e enquanto sociedade.

«Hoje, queremos transmitir e partilhar informação para salvaguarda da vida e da integridade física dos nossos técnicos. É uma responsabilidade social, um dever de cidadania, e desejamos que este espaço seja de sensibilização e de consciencialização», afirmou.

O que é o cancro e quais são os factores de risco

Seguiu-se a intervenção da Dra. Albertina Manaça, Médica Oncologista do Instituto Angolano de Controlo do Cancro (IACC), que aprofundou os aspectos científicos da matéria. Definiu o cancro como “uma doença maligna decorrente do crescimento desordenado de células” e referiu tratar-se da “segunda causa de morte entre as mulheres”. Revelou a existência de 250 casos novos apenas no instituto, ressalvando, contudo, que “os dados estatísticos não reflectem toda a realidade”, na medida em que o rastreio ainda é insuficiente.

Entre os factores de risco, a especialista enumerou: ser mulher; a idade; a menarca precoce (primeira menstruação antes dos 12 anos); a menopausa tardia (após os 55 anos); não ter tido filhos; a primeira gravidez tardia; e o uso de contraceptivos orais durante longos períodos, razão pela qual recomendou um planeamento familiar que não se prolongue excessivamente no tempo. Acrescentou ainda a história familiar de cancro e determinados estilos de vida, designadamente uma alimentação baseada em comida ultraprocessada e rica em gorduras, o consumo de álcool e de tabaco, a obesidade e as dietas hipercalóricas. Daí a importância das consultas de controlo regulares.

Quanto aos sinais e sintomas de suspeita, a oradora foi categórica: o cancro da mama, em regra, não dói, e a dor surge sobretudo quando a doença já se encontra em fase avançada. O principal indicativo é o nódulo (caroço) na mama, tanto em homens como em mulheres. Embora nem toda a dor seja sinónimo de cancro, importa valorizar todos os sintomas.

Na pele, podem surgir alterações de coloração e um aspecto semelhante à casca de laranja. O mamilo pode apresentar-se desviado para a direita ou para a esquerda, ou invertido, e podem verificar-se secreções esverdeadas ou purulentas quando pressionado. As ínguas nas axilas podem igualmente constituir sinal de doença, e uma íngua com mais de seis meses de duração pode indiciar cancro da mama.

Prevenção: auto-exame, rastreio e hábitos saudáveis

No que respeita aos factores de protecção, a Dra. Albertina Manaça destacou o auto-exame e o rastreio, preconizando a mamografia anual a partir dos 40 anos e a consulta regular de ginecologia. No caso do homem, a consulta de urologia permite ao médico observar igualmente a mama. A gravidez, a amamentação e a prática de exercício físico figuram também entre os factores protectores.

A oradora explicou ainda os métodos de auto-exame, com recurso a imagens reais. Toda a mulher deve realizá-lo entre oito a dez dias após a menstruação, e as que já não menstruam devem fazê-lo uma vez por mês. No homem, basta percorrer o peitoral com as mãos, sem pressa, para verificar se o mamilo se apresenta normal ou se existe algum aumento ou alteração. Todos devem proceder a este exame, independentemente da idade.

Testemunho de quem viveu a doença

A ocasião foi enriquecida pelo testemunho da Sra. Edna Elisabeth Manuel, que partilhou o que significa viver com o cancro da mama. Diagnosticada em 2021, foi operada e submetida a quimioterapia. O seu depoimento, proferido com o intuito de fortalecer outras mulheres, abordou igualmente as condições do centro de acolhimento. «Todas as mulheres cuidem-se e amem-se», apelou.

Reacções dos participantes

No final da palestra, as reacções dos participantes confirmaram o alcance da iniciativa. A técnica Gisela Sumbo, da Contadoria Geral, felicitou o Tribunal: «Antes de mais, quero parabenizar o Tribunal, na pessoa da sua Direcção, pela linda iniciativa. É uma iniciativa louvável. O Outubro Rosa é muito mais do que uma cor, é um alerta que bate à porta de todas as mulheres. Assistimos a uma palestra com a Dra. Albertina Manaça e retirámos um bom proveito; aceso ficou o espírito da mulher que há em todas nós, para nos fazer lembrar que este é um assunto muito importante e que devemos estar todas preparadas.»

Na mesma linha, a técnica Rosa Gabriel Malambo, da 4.ª Divisão, considerou que «a iniciativa da Direcção do Tribunal foi boa e importante para nos lembrar e capacitar, pois, por vezes, as informações de que dispomos são limitadas. A doutora Albertina Manaça conseguiu abrir mais o nosso conhecimento sobre o cancro da mama, e foi bom ter participado. Ficou a recomendação de que as mulheres de 45 anos para cima, e também aquelas com familiares com histórico da doença, devem preocupar-se cada vez mais em prevenir-se, porque a prevenção é fundamental: quando detectada atempadamente, os cuidados a prestar a cada paciente são diferentes e podem surtir mais efeito na cura.»

O evento reiterou, assim, a pertinência da sensibilização e da consciencialização como instrumentos de salvaguarda da vida, uma responsabilidade social e um dever de cidadania que a todos vincula.

Texto: Adão Manuel João com Alexandre Cose
Fotografia: Mauro TEIXEIRA