TRIBUNAL DE CONTAS REFORÇA COMPETÊNCIAS DE LIDERANÇA E GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS

Directores, chefes de departamento e chefes de secção do Tribunal de Contas participam, na Escola de Contas, numa formação de dois dias dedicada à liderança humanizada, à gestão de conflitos e à condução de processos de mudança, ministrada pelo professor brasileiro Cleiton Milagres, da Universidade Federal do Tocantins.

O Tribunal de Contas iniciou, esta Terça-feira, na Escola de Contas, uma acção de formação subordinada ao tema “Liderança e Gestão Estratégica de Pessoas”, dirigida aos responsáveis que exercem funções de chefia na instituição, de directores a chefes de secção.

A iniciativa, promovida no âmbito do plano de capacitação do Tribunal, decorre ao longo de 2dias e pretende reforçar as competências dos líderes institucionais em domínios como a gestão de pessoas, a comunicação, o relacionamento profissional, a gestão de conflitos, o feedback, a avaliação de desempenho e a condução de processos de mudança — com o objectivo último de fortalecer a capacidade institucional e melhorar os resultados do Tribunal.

A primeira sessão proporcionou uma abordagem abrangente sobre os factores que influenciam a liderança e a gestão estratégica de pessoas, com particular destaque para a cultura organizacional, a missão e os objectivos estratégicos da instituição, e a forma como estes devem ser traduzidos para os diferentes níveis e áreas de funcionamento do Tribunal de Contas.

Entre os temas trabalhados esteve o conceito de liderança humanizada, com reflexão sobre o papel do líder na relação com os seus colaboradores e sobre a importância de compreender as diferentes perspectivas presentes no ambiente de trabalho.

A formação está a ser conduzida pelo professor Cleiton Milagres, da Universidade Federal do Tocantins, que destacou a importância de capacitar os responsáveis pela gestão de pessoas, sobretudo numa instituição cuja actividade depende directamente da qualidade do trabalho colectivo.

“A instituição que trabalha com pessoas precisa também estar capacitada”, afirmou o formador, sublinhando a necessidade de envolver os líderes num processo de reflexão sobre as práticas de gestão, partindo da experiência quotidiana de quem exerce funções de chefia.

Segundo Cleiton Milagres, a sessão permitiu trabalhar diferentes dimensões da gestão estratégica de pessoas — competências, comunicação, feedback e mudança — e abriu espaço para que os participantes identificassem, eles próprios, os principais desafios que enfrentam no exercício das suas funções.

O segundo dia da formação traz uma componente predominantemente prática, partindo do diagnóstico e das questões levantadas pelos próprios participantes durante o primeiro encontro. A abordagem permitirá aprofundar estratégias e técnicas aplicáveis ao quotidiano profissional, com vista a transformar fragilidades identificadas em oportunidades de melhoria.

Uma aposta na cultura organizacional

Para a chefe de secção de Gestão de Carreira e Formação, Yara Figueiredo, a iniciativa insere-se numa perspectiva mais ampla de desenvolvimento das competências dos profissionais do Tribunal, que não se esgota nos líderes, mas abrange igualmente a forma como estes se relacionam com as suas equipas.

“É importante termos um olhar para aquilo que é a liderança do Tribunal”, afirmou, destacando que a capacitação constitui também uma oportunidade para melhorar a gestão de pessoas, a resolução de conflitos e a articulação entre as equipas, sempre com a estratégia institucional como referência.

Yara Figueiredo explicou ainda que a formação foi aberta a todos os líderes do Tribunal de Contas — de directores a chefes de secção — tendo a participação decorrido de forma voluntária, mediante convite dirigido aos responsáveis.

Na sua leitura, o investimento na capacitação das lideranças tem impacto directo na cultura organizacional e no ambiente de trabalho, factores que, por sua vez, influenciam os resultados da instituição. “A cultura organizacional e a melhoria do ambiente de trabalho influenciam os resultados”, sublinhou.

A formação representa também uma oportunidade de aprofundar a cooperação entre Angola e o Brasil no domínio da capacitação e da gestão pública. Para o professor Cleiton Milagres, apesar da distância geográfica entre os dois países, Angola e o Brasil partilham fortes elementos culturais e linguísticos que favorecem processos de aprendizagem mútua.

“Brasil e Angola têm muito em comum quando se fala do trabalho colectivo, do trabalho que envolve as pessoas, e podemos fazer uma aprendizagem mútua e transformadora com as nossas lideranças”, afirmou o professor.

 

Texto: Lélis Twevekamba com Alexandre Cose 
Fotografia: Mauro Teixeira