Presidente Sebastião Domingos Gunza reafirma compromisso com o bem-estar dos funcionários durante encontro que juntou formação sobre gestão social e relações interpessoais à apresentação de soluções destinadas a facilitar o acesso a bens e serviços
O Tribunal de Contas de Angola (TCA) realizou, nesta Segunda-feira, no Auditório Rui Ferreira, do Palácio da Justiça, uma actividade dedicada à valorização do capital humano, combinando uma reflexão sobre relações interpessoais e cooperação no ambiente de trabalho com a apresentação de iniciativas destinadas a melhorar as condições sociais dos seus funcionários.
A sessão foi presidida pelo Venerando Juiz Conselheiro Presidente do Tribunal de Contas, Sebastião Domingos Gunza, e contou com a presença de Juízes Conselheiros, directores, chefes de divisão e de secção, auditores, técnicos e demais funcionários da instituição, bem como de representantes das empresas envolvidas nas soluções apresentadas.
Na abertura, o Presidente enquadrou a iniciativa numa orientação que, segundo afirmou, tem acompanhado a gestão da instituição: colocar as pessoas no centro das preocupações do Tribunal.
Para Sebastião Domingos Gunza, o funcionamento da Corte não depende apenas das suas estruturas administrativas e jurisdicionais, mas, fundamentalmente, das mulheres e dos homens que asseguram diariamente o cumprimento da sua missão.
_“Os que fazem acontecer o Tribunal são as pessoas que aqui estão”_ , afirmou o magistrado, ao destacar o papel desempenhado pelos funcionários, auditores, chefias e dirigentes.
APOIO SOCIAL DENTRO DAS POSSIBILIDADES DO TRIBUNAL
O Presidente explicou que a instituição tem procurado identificar mecanismos que permitam responder, dentro das suas possibilidades, a necessidades concretas dos seus quadros.
É neste contexto que se enquadra a iniciativa destinada a facilitar o acesso dos funcionários a determinados bens, incluindo viaturas e mobiliário, através de soluções negociadas com entidades parceiras.
O modelo apresentado assenta na intermediação institucional, que permite que os trabalhadores interessados possam beneficiar das condições estabelecidas nos protocolos, sem que a adesão tenha carácter obrigatório.
O Presidente esclareceu que as condições específicas, os critérios de acesso, as responsabilidades das partes e os mecanismos financeiros aplicáveis devem ser devidamente conhecidos pelos funcionários antes de qualquer decisão individual.
“_O Tribunal não vai resolver todos os problemas dos seus funcionários. Isso é impossível. Mas vamos mitigar, vamos tentar resolver o mínimo que o Tribunal possa fazer e naquilo que nos competir_”, afirmou.
RELAÇÕES HUMANAS TAMBÉM PRODUZEM RESULTADOS
A componente social da actividade foi complementada por uma palestra do Professor Doutor Airton Cançado, da Universidade Federal do Tocantins, subordinada ao tema “Conexões que Transformam: Gestão Social, Relações Interpessoais e Cooperação para Melhores Resultados”.
A escolha do tema, explicou o Presidente, insere-se igualmente na política de valorização do capital humano, ao reconhecer que o desempenho institucional não depende exclusivamente de normas, recursos materiais ou tecnologia, mas também da qualidade das relações estabelecidas entre as pessoas.
Na sua abordagem, Airton Cançado partiu da ideia de interdependência para demonstrar como as decisões individuais podem produzir consequências colectivas e como a cooperação pode contribuir para melhores resultados dentro das organizações.
Recorrendo a conceitos da teoria dos jogos, como o Equilíbrio de Nash, o Dilema do Prisioneiro, a “tragédia dos comuns” e a chamada “sombra do futuro”, o académico demonstrou que decisões aparentemente vantajosas para um indivíduo podem gerar resultados menos favoráveis para o conjunto.
Um dos pontos centrais da palestra incidiu sobre a confiança como elemento essencial da cooperação.
Para o académico, a confiança constrói-se ao longo do tempo, através da comunicação, da reciprocidade e do cumprimento dos compromissos assumidos. A sua quebra, pelo contrário, pode afectar as relações futuras e comprometer a capacidade de cooperação dentro de uma organização.
O Professor Airton Cançado defendeu, neste sentido, ambientes profissionais nos quais as pessoas possam participar na construção das regras de convivência, manifestar os seus pontos de vista, aceder à informação e contribuir para as decisões que influenciam a vida colectiva.
“A cooperação não significa ausência de conflito”, observou, sublinhando que as diferenças de opinião fazem parte das organizações e podem ser geridas através do diálogo, da transparência e da construção colectiva de soluções.
A reflexão ganhou particular significado para o Tribunal de Contas, uma instituição constituída por diferentes áreas técnicas, administrativas e jurisdicionais, cuja capacidade de produzir resultados depende também da articulação e colaboração entre os seus profissionais.
A actividade permitiu, assim, aproximar duas dimensões da gestão institucional: por um lado, a criação de mecanismos concretos de apoio social aos funcionários e, por outro, o investimento nas relações humanas, na cooperação e na construção de um ambiente profissional favorável ao desempenho colectivo.
Ao enquadrar as iniciativas, o Presidente do Tribunal de Contas reiterou que a valorização do capital humano continuará a constituir uma das preocupações da gestão, dentro das competências e possibilidades da instituição.
A sessão prosseguiu com a apresentação das soluções disponibilizadas pelas entidades parceiras, os esclarecimentos aos funcionários e a formalização dos respectivos instrumentos de cooperação.
Texto: Alexandre Cose
Fotografia: Mauro Teixeira