Coordenador da equipa de docentes da Universidade Federal do Tocantins (UFT) destaca impacto dos mestrados e doutoramentos no Tribunal de Contas de Angola (TCA) e considera participação do Presidente na formação um exemplo de aprendizagem contínua
O Professor Waldecy Rodrigues, que coordena a equipa de docentes brasileiros que se encontra em Luanda no âmbito do programa de formação envolve quadros do TCA, considera positiva a evolução do processo e defende que um dos seus principais méritos reside na ligação entre a investigação académica e os desafios concretos da instituição.
Em declarações à reportagem do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa, GCII, o académico da UFT explicou que as teses de doutoramento e dissertações de mestrado desenvolvidas no quadro da formação procuram partir de problemas e desafios estratégicos do próprio Tribunal, transformando-os em objectos de investigação aprofundada.
Segundo o Professor Waldecy Rodrigues, esta abordagem permite que a formação ultrapasse a simples obtenção de graus académicos e possa produzir conhecimento susceptível de ser aproveitado no funcionamento da instituição.
“Os trabalhos realizados são desafios do próprio Tribunal de Contas. As teses de doutoramento e as dissertações de mestrado têm essa característica: pega-se um desafio estratégico do Tribunal e transforma-se num estudo mais aprofundado, para que depois traga impacto ao próprio Tribunal, à própria dinâmica do seu funcionamento”, explicou.
PESSOAS COMO PRINCIPAL RECURSO DAS ORGANIZAÇÕES
Questionado sobre os resultados esperados do programa, Waldecy Rodrigues colocou os recursos humanos no centro do desenvolvimento institucional.
Para o académico brasileiro, a qualificação proporciona aos profissionais, novos conhecimentos, técnicas e instrumentos de análise, mas ganha especial relevância quando os formandos utilizam essas competências para estudar problemas concretos da organização em que trabalham.
“Qual é o recurso mais importante que tem uma organização? São as pessoas”, afirmou, acrescentando que o investimento na sua formação permite melhorar conhecimentos e incorporar novas técnicas, ao mesmo tempo que proporciona um “mergulho” em problemas e agendas concretas do Tribunal de Contas.
A perspectiva defendida pelo docente converge com a aposta do TCA na formação contínua dos seus quadros, particularmente através de programas académicos de nível avançado capazes de aproximar investigação científica, conhecimento especializado e necessidades institucionais.
NOVA FORMAÇÃO PREVISTA PARA ANGOLA
O Professor Waldecy Rodrigues revelou igualmente que o processo deverá conhecer uma nova etapa, com uma formação aprovada no Brasil para ser ministrada integralmente em Angola.
O docente manifestou satisfação com a implantação da Escola de Contas e apontou a possibilidade de o Tribunal assumir progressivamente um papel mais amplo na promoção da qualificação profissional.
Na sua perspectiva, a capacidade instalada poderá permitir que o TCA funcione também como catalisador de iniciativas de formação destinadas a profissionais de outras instituições públicas.
A expansão da formação avançada encontra, segundo o Professor, paralelos na experiência brasileira. Waldecy Rodrigues referiu, a propósito, a crescente aposta dos órgãos públicos brasileiros em programas académicos de alto nível, tendo mencionado a experiência do Tribunal de Contas da União (TCU).
“A GENTE TEM QUE ESTUDAR SEMPRE”
Um dos aspectos destacados pelo académico foi a necessidade de a formação ser entendida como um processo permanente e não como uma etapa encerrada com a obtenção de determinada qualificação.
“A gente tem que estudar sempre”, afirmou.
Waldecy Rodrigues relacionou esta necessidade com as profundas transformações tecnológicas actualmente em curso, particularmente com a expansão da Inteligência Artificial.
Na sua perspectiva, o desenvolvimento tecnológico torna ainda mais necessária a valorização das capacidades humanas: “A gente tem cada vez mais que desenvolver a nossa inteligência natural, para dialogar melhor com esses novos algoritmos, para a gente não ser escravo deles”.
Para o docente, a formação de alto nível numa instituição como o Tribunal de Contas tem, por isso, efeitos que ultrapassam os próprios formandos. A melhoria das capacidades profissionais pode repercutir-se na qualidade do funcionamento institucional, na fiscalização e na utilização dos recursos públicos.
“Com esse processo em andamento, com certeza, o maior beneficiado vai ser o cidadão angolano”, considerou.
PARTICIPAÇÃO DO PRESIDENTE É APONTADA COMO EXEMPLO
Questionado sobre o significado da participação do Presidente do Tribunal de Contas, Dr. Sebastião Gunza, no programa de formação, integrando uma turma juntamente com outros quadros da instituição, o Professor Waldecy Rodrigues considerou que a atitude transmite uma mensagem de valorização da aprendizagem contínua.
“Na verdade, é um exemplo. O líder da organização se faz humilde para estudar junto também com os seus subordinados. Ele mostra, pelo exemplo, o que deve ser feito, qual é o caminho a seguir”, declarou.
O académico acrescentou que, para a Universidade Federal do Tocantins, constitui uma honra ter o Presidente e os demais quadros do Tribunal entre os formandos, sublinhando que a relação académica proporciona igualmente oportunidades de aprendizagem aos próprios docentes.
As declarações foram prestadas durante a presença da delegação de professores brasileiros no Tribunal de Contas, no quadro das actividades académicas que vêm sendo desenvolvidas em Luanda.
A formação integra a estratégia de valorização do capital humano e de reforço das competências técnicas e científicas dos quadros do Tribunal, procurando aproximar a produção académica dos problemas concretos da instituição e das exigências contemporâneas do controlo das finanças públicas.
Texto: Alexandre Cose
Foto: Emanuela Narciso
Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa