ALLAN BARBIERO DESTACA QUALIFICAÇÃO DO CAPITAL HUMANO E ORGANIZAÇÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS

Professor da Universidade Federal do Tocantins considera que teses de doutoramento desenvolvidas a partir da realidade angolana poderão deixar conhecimento útil para o Tribunal e para o Estado

O Professor Allan Kardec Barbiero, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Brasil, manifestou uma impressão “muito positiva” sobre a organização e o nível de qualificação dos profissionais do Tribunal de Contas de Angola (TCA), depois de uma visita guiada às instalações da instituição, realizada esta Terça-feira, 11 de Agosto, no quadro da presença em Luanda de uma delegação de docentes brasileiros.

Em declarações ao Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa (GCII), no final da visita, o académico destacou a organização encontrada nas diferentes áreas do Tribunal e relacionou a capacidade institucional dos órgãos de controlo com a transparência da Administração Pública e a protecção dos direitos dos cidadãos.

“Conseguimos observar o nível de competência e de organização que o Tribunal de Contas de Angola tem”, afirmou Allan Barbiero, acrescentando ter ficado particularmente impressionado com o investimento que a instituição vem realizando na qualificação dos seus recursos humanos e com os resultados desse processo na preparação dos profissionais.

Para o professor da UFT, instituições públicas modernas necessitam de estruturas administrativas organizadas e de profissionais preparados para o cumprimento das respectivas atribuições. “Saio daqui muito bem impressionado com o investimento em qualificação que o Tribunal de Contas tem feito e o resultado que isso tem acarretado, de realmente uma equipa muito bem preparada para cumprir o seu papel”, considerou.

 

TESES ORIENTADAS PARA PROBLEMAS CONCRETOS

A delegação brasileira encontra-se em Luanda no âmbito de um programa de formação académica avançada que envolve profissionais do Tribunal de Contas. Para Allan Barbiero, uma das principais características do modelo é precisamente a possibilidade de aproximar a investigação científica dos problemas concretos enfrentados pelas instituições.

O académico explicou que o programa contempla formação ao nível de doutoramento numa área considerada estratégica para o país e salientou a natureza profissional da formação, que permite desenvolver investigação em estreita ligação com a actividade exercida pelos próprios formandos.

“É um doutoramento profissional. O doutoramento profissional tem uma característica específica, porque é feito concomitantemente com o trabalho e voltado para uma realidade prática”, explicou.

Esta característica deverá fazer com que as teses desenvolvidas pelos profissionais angolanos incidam sobre questões relacionadas com a realidade do país e procurem, a partir da investigação científica, identificar problemas e apresentar possíveis soluções.

Segundo Allan Barbiero, é precisamente aí que poderá residir um dos principais legados do programa.

“Cada tese de doutoramento será uma contribuição, porque, logicamente, vai estar a tratar de um problema que existe e a apontar soluções.”

Deste modo, acrescentou, o resultado do programa não deverá limitar-se à qualificação individual dos profissionais que nele participam. A própria produção intelectual resultante das investigações poderá constituir conhecimento aproveitável pelas instituições públicas.

“Além da qualificação do servidor do Tribunal de Contas, há o trabalho, a produção intelectual que ele vai deixar também para o Estado angolano”, sublinhou.

 

COOPERAÇÃO COMO VIA DE MÃO DUPLA

Allan Barbiero destacou ainda a dimensão de intercâmbio presente na cooperação académica entre Angola e Brasil, considerando que o processo proporciona aprendizagem às duas partes.

“É muito importante para Angola e para nós, no Brasil, porque há sempre uma troca. A gente traz uma experiência, mas carrega também toda a experiência da equipa”, afirmou.

Nesta perspectiva, a presença dos professores brasileiros em Angola não é entendida apenas como transferência unilateral de conhecimento. O contacto com os profissionais, as instituições e a realidade angolana permite igualmente aos docentes conhecer outros contextos, experiências e problemas que enriquecem a própria relação académica.

 

PROGRAMA PODERÁ SER AMPLIADO EM ANGOLA

O Professor Allan Barbiero revelou igualmente a intenção da Universidade Federal do Tocantins de dar continuidade e ampliar a experiência de formação.

Segundo explicou, através do programa de doutoramento coordenado pelo Professor Valdeci Rodrigues, está prevista a abertura de uma nova turma em Angola, com possibilidade de participação de profissionais provenientes de outras instituições do Estado.

Enquanto o primeiro programa combina actividades realizadas no Brasil e em Angola, a perspectiva apresentada pelo docente para a próxima turma é diferente: a formação deverá decorrer em Angola, sem prejuízo de eventuais períodos de imersão académica no Brasil, particularmente no Estado do Tocantins.

“O próximo vai ser totalmente aqui em Angola, logicamente com possíveis imersões lá no Brasil”, adiantou.

A concretização desta perspectiva poderá alargar o alcance da cooperação académica para além do Tribunal de Contas, proporcionando oportunidades de formação avançada a quadros de outros sectores da Administração Pública angolana.

A visita dos docentes às instalações do Tribunal integrou o programa de actividades desenvolvido durante a sua permanência em Luanda e permitiu-lhes conhecer directamente a estrutura, o funcionamento e as diferentes áreas da instituição.

As declarações de Allan Kardec Barbiero dão continuidade ao conjunto de conteúdos que o Tribunal de Contas está a divulgar sobre a formação, qualificação do capital humano e cooperação académica, enquanto instrumentos de fortalecimento das capacidades institucionais e de produção de conhecimento aplicado aos desafios da Administração Pública.

TEXTO – Alexandre Cose

FOTOGRAFIA – Mauro Teixeira e Filipe Lucas